Em primeiro lugar, parabéns a todos os participantes do espetáculo “As Famílias de Jorge” da equipe que produziu o espetáculo a platéia que compareceu. Foi interessante conhecer a carreira do dramaturgo barretense Jorge Andrade, que pelo que vi, injustamente, muito pouca gente conhece. Não é pra menos, é a cidade onde se glorifica um touro de rodeio. Qual seria a resposta financeira que se teria em homenagear ou valorizar a obra de um escritor barretense? Onde está a exposição de fotos referentes a sua carreira que foi exposta no museu há alguns meses? Porque não uma homenagem fixa ao profissional do teatro cuja sua obra não tem nada a ver com festa de peão, mas tem muito a ver com a verdadeira cultura e os problemas dos sertanejos.
Parabéns à toda a galera do teatro.
Teve um momento importante também após espetáculo, e o principal objetivo desse post é destacá-lo, foi o debate após a apresentação com a presença do conceituado diretor Eduardo Tollentino do Grupo TAPA de São Paulo, que já dirigiu algumas peças de Jorge. Além da discussão sobre a obra do dramaturgo barretense, foi levantada também a situação cultural da cidade, que “ninguém” sabe quem foi Jorge Andrade, que ninguém se interessa por teatro, por literatura ou música, que o povão só quer saber de assistir novela e big brother ou ouvir porcaria no rádio, que o poder público não apóia, pra justificar os poucos bons eventos culturais que tem na cidade, e realmente é tudo verdade.
Mas não adianta as pessoas “bem formadas” comparecerem a eventos de Jazz em bar de burguês, no Grêmio, ou no teatro da FEB. Não adianta os “intelectuais” comparecerem as peças teatrais e exposição de arte no Grêmio. Com isso não muda nada, o público da arte ou do movimento cultural vai ser sempre o mesmo e pequeno. A gente curte, mas não muda nada. A arte tem que ir pra rua, tem que ir às escolas. É preciso formar cidadãos interessados em “coisas boas” e pra isso principalmente as crianças precisam ter acesso. O ser-humano é resultado de suas influências. E mais uma vez como disse Gombrich: “Gosto não se discute, porém é suscetível de desenvolvimento”.
Tolentino deixou claro, a mudança só vai acontecer a partir do momento que tomarem atitudes, fazendo errado, com pequenas produções, mas fazendo e aprendendo. Eu sei que não é fácil, mas esperar que a mulecada deixe de ir na baladinha pra assistir teatro ou que o poder público apoie com consistência, não adianta mesmo. Eles não tem capacidade nem de concluir uma sala de Cinema. Tem gente que parece macaco. Só reclama.
Ou mostra a “boa arte” pra massa, ou o jeito vai ser se contentar no máximo, com “meia dúzia” de pessoas vendo uma boa peça no grêmio, ou com o teatro da FEB lotado de jovens, mas pra ver comédia clichê-bobagenta-comercial como foi o “O Pai da Noiva”. Pior que essa sim, teve apoio de muita gente.
E onde estavam nossos representantes do “Executivo” na hora da discussão? Ah o da tecnologia tava lá. Parabéns. Mas po, e os da cultura, do turismo? Ah provavelmente assistindo algum jogo de futebol ou viajando pra alguma festa de rodeio. Desculpa aí, liberdade, eles podem fazer que querem. Mas independente do debate, acho que eles iriam sentir orgulho em ver um espetáculo escrito por barretense, adaptado por barretense, dirigido por barretenses, produzido por barretenses e atuado por barretenses e sem o devido apoio do poder público barretense.
3 Comentários
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Bom, como comentei em outro post, onde era dito a respeito do FESTART, experiencia onde as crianças das escolas de Barretos competiam entre si apresentando peças teatrais.
Isso ocorreu no inicio da decada de 90, participei competindo pela escola Dr. Antonio Olympio.
Acredito que seria uma boa sugestão ao poder publico implementar tal experiencia novamente, pois com certeza incentivaria as novas gerações a serem consumidoras de cultura.
Gde Abraço
Macaco prego
Aii macaco…mais uma vez reclamando…não dáaaaaaaaa…páraaaa…divulga ai o evento da prefeitura na Estação Cultural.: 2º Barretos Mitsuri, de 29 a 31 de maio.
Beijo, não me liga!
Reclamão e cada vez com mais vontade de reclamar.
Desculpaí, mas pra quem quiser ler que tudo ta muito lindo por aqui, tem um jornal chamado “O imparcial”.
E o belo evento japonês já está sendo muito bem apoiado e divulgado.. Mas mesmo assim eu vou ver se arranjo um tempinho pra colar alguma coisa aqui. Muito grato pela sugestão.